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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Aguardem!

Oi, pessoal!!

Devido ao grande conteúdo acadêmico, estágios nas escolas e ao projeto no SESC Belenzinho em parceria com o instituto "Os Narradores de Passagem" - como divulguei em minhas redes sociais - não foi possível criar novas postagens. Além de dar essa satisfação a vocês, leitores e seguidores do blog, quero também  compartilhar a minha alegria com vocês de ter o meu primeiro trabalho de revisão ortográfica registrado e publicado com o livro Marketing Yourself - Dicas de como alavancar sua carreira na Internet,   de Douglas Falsarella! Porém, prometo que muito em breve darei continuação à série Sintaxe bem como abordarei outras regras e mistérios da nossa Língua. Transcrevo abaixo, o belíssimo soneto de Olavo Bilac:



Língua portuguesa


Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho! 





Beijos, queridos!

Sem crises!!

Mônica

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Série Sintaxe - parte II



Nota de correção:


Queridos leitores,

Devo informar-lhes de que cometi um erro em dar o exemplo do uso da partícula (ou pronome) “-se” para identificar o sujeito indeterminado em uma frase. Para exemplificar o uso da partícula, usei a frase “Admitem-se funcionários” e afirmei que o fato de poder passar pra voz passiva tornava o sujeito indeterminado sendo que, na verdade, é o contrário: SE FOR POSSÍVEL PASSAR PARA A VOZ PASSIVA, NÃO HÁ SUJEITO INDETERMINADO, E SIM UM SUJEITO PACIENTE. A voz passiva ficará assim: “Funcionários são admitidos”.

Sujeito Paciente: “Funcionários”.
Função da partícula “-se”: Partícula apassivadora.

Aviso que na postagem já está aplicado um exemplo correto. Porém o áudio ainda permanece com erro. Atentem-se a isso! Com os erros, aprendemos! Sem crises! =)



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Como vimos no post anterior, a análise sintática é feita a partir da classificação de elementos que aparecem dentro de termos da oração que são:

Termos essenciaisSujeito e predicado, responsáveis pela estrutura da oração;
Termos integrantes: Objeto direto, objeto indireto, complemento nominal e o agente da passiva. Complementam o sentido de verbos e nomes;
Termos acessórios: Adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto. Não são fundamentais, modificam ou especificam outros termos.

Hoje estudaremos sobre os termos essenciais da oração: Sujeito (tipos de sujeito) e predicado (tipos de predicados).

Estudos linguísticos explicam que, para o enunciado ter algum sentido as palavras precisam relacionar-se entre si, formando frases. A análise sintática é o processo de reconhecimento das funções que um termo (constituinte) exerce sobre o outro termo (constituinte) dentro da oração.


O grande segredo na análise sintática, é que sempre se faça perguntas ao verbo.  O termo que executa a ação do verbo é o SUJEITO e o elemento que sofre a ação do verbo é o PREDICADO

Vejamos:

Os professores elaboram as provas.
                                    
Na oração, o verbo principal é “elaboram”. Neste caso, pergunte ao verbo:

“Quem elabora?” – os professores.
“Elaboram o quê?” – elaboram as provas.

Portanto, a constituinte “Os professores” é o SUJEITO e, por sua vez, a constituinte “elaboram as provas” é o PREDICADO. 

Sujeito: é o elemento de quem se declara alguma coisa.
Predicado: é TUDO aquilo que se diz sobre o sujeito.    

 
TIPOS DE SUJEITO

Existem 4 tipos de sujeito, que podem ou não estar explícitos na oração. São eles:

Sujeito simples:

O filho de Amanda reprovou em matemática.

Sabemos que quem reprovou foi “O filho de Amanda”. Um sujeito que apresenta apenas um núcleo (palavra mais importante), que é filho. Por apresentar apenas uma palavra, ou seja, um só núcleo, temos então um sujeito simples.

Sujeito simples: é aquele que apresenta um só núcleo.



Sujeito composto

Cássio e Ana decidiram comprar um carro juntos.

Sabemos que quem irá comprar é “Cássio e Ana”, um sujeito que apresenta dois núcleos.  Temos então um sujeito composto.

Sujeito composto: é aquele que apresenta mais de um núcleo.


Sujeito oculto (elíptico, desinencial ou implícito)

Estamos ansiosos pela viagem!

Neste caso, o sujeito não aparece claramente na oração, mas pela terminação, ou desinência – mos, que refere-se à primeira pessoa do plural“nós”, entendemos que “Nós estamos ansiosos pela viagem”.

Sujeito oculto ou desinencial – é aquele que está implícito na oração, mas que pode ser determinado pela desinência ou terminação verbal.

Sujeito indeterminado

Falaram mal de mim!


Neste caso, o que caracteriza um sujeito indeterminado é o uso da 3ª pessoa do plural. O verbo não se refere a nenhum termo identificado anteriormente (a menos que haja um contexto, como por exemplo: “Eles são chatos e falaram mal de mim! – no contexto, sabemos que quem falou foram “eles”.)

Necessita-se de funcionários. (verbo transitivo indireto)

Nesse caso não é possível passar a oração para a voz passiva, o que também caracteriza a indeterminação do sujeito. Veja:

De funcionários são necessitados.

Além de o pronome em destaque “-se” funcionar como índice de indeterminação do sujeito, quando tentarmos trocar para a voz passiva, a preposição "De", necessariamente ficaria no início da frase, antes do sujeito mas como sabemos, o sujeito NUNCA deve ser precedido de preposição. Além disso, uma outra regra básica e de fácil memorização, é que NUNCA se é possível passar para  voz passiva verbos intransitivos ou verbos transitivos indiretos, como no caso do exemplo dado "necessitar".

Sujeito indeterminado: é aquele que não está expresso na oração, porque não se pode identificá-lo ou nomeá-lo.                                                               



Oração sem sujeito ou sujeito inexistente:


Há, por último, situações nas quais o sujeito é inexistente. São as orações sem sujeito. Para identificá-las, temos algumas regras:

  • Com verbo haver no sentido de existir:
                 bons restaurantes em Santo André.

  • Com os verbos haver, fazer e ir referindo-se a tempo decorrido: 
Faz muito tempo que não a vejo.
Morei em Ubatuba cerca de 7 anos.
Ia o tempo da Ditadura quando se casaram.

  • Com o verbo ser indicando tempo em geral:
       Era um período de verão maravilhoso!


  • Com verbos que denotam fenômenos da natureza em geral:
          Esfriou muito nessa semana.
          De noite choveu.

    Ventava forte em Cabo Frio.

Isso não ocorre quando os verbos têm sentido figurado:

Eles amanheceram irritados. (suj. simples – Eles.)

Oração sem sujeito: é aquela que se forma apenas pelo predicado, e não se refere a nenhum ser.




TIPOS DE PREDICADO

Temos 3 tipos de predicado na análise sintática. São eles:

Predicado nominal: o núcleo é um nome.

Você é um estudante inteligente.

O verbo “ser” é um verbo de ligação que não transmite informações sobre o sujeito, portanto o núcleo desse predicado é um nome, tornando-o um predicado nominal. Outros exemplos:
Durante a aula, ela pareceu-me nervosa.
                                                                              


Predicado verbal: o núcleo é um verbo.

As crianças comeram o bolo apressadamente.

Predicado verbo-nominal: há dois núcleos, um verbo e um nome.

Ele me contou tudo isso muito chateado.


Nesse caso, há um núcleo verbal (contou) e um núcleo nominal (chateado). Esse predicado é classificado como verbo-nominal.

É isso, pessoal! Esta foi o que podemos chamar de base para uma boa análise sintática. Sabemos que são muitas regras, mas estudá-las e entendê-las é fundamental para elaboração de boas construções.
Terminamos então a análise dos termos essenciais e a partir deles iremos estudar os termos integrantes da oração, que são objeto direto, objeto indireto, complemento nominal e o agente da passiva.


Com sujeito e predicado?

Ah, sem crises!



Acompanhe também em áudio, no podcast abaixo, ou clique aqui para fazer o download.




terça-feira, 12 de julho de 2011

Série Sintaxe - parte I


Oi, pessoal!

O Crase sem Crise está inovando! Agora temos também o formato podcast disponível para download para você, estudante e leitor do blog, acompanhar nossas matérias também em áudio e ouvi-las quando e onde quiser!

Espero que gostem, pois foi feito para vocês, leitores!

Bem-vindos à série: SINTAXE

Há muito tempo quero fazer uma série sobre análise sintática. Fui até mesmo cobrada quanto a isso. A SINTAXE tem um conteúdo extenso, então resolvi dividi-la por partes, de forma sucinta.


Antes de tudo, numa análise sintática precisamos reconhecer as diferenças entre FRASE, ORAÇÃO e PERÍODO.

Se alguém entrasse agora por sua porta e dissesse: “Fogo!”- o que você faria?

Obviamente sairia de onde está, pois o que você ouviu teve sentido completo. Isso é o que chamamos de FRASE. O mesmo ocorre com o enunciado: “Psiu!”


FRASE é o enunciado que possui sentido completo.

Por outro lado, se alguém disser a você: “Eu quero!” – automaticamente, pensaria, ou diria: “Quer o quê?”, uma vez que o que foi dito não teve sentido algum, daí fez-se necessária a pergunta de volta.

Ainda, se alguém dissesse: “O bebê nasceu!” – Talvez você até faça perguntas como “É saudável?” ou “É menino ou menina?”, mas a notícia do nascimento teve sentido completo.

Vemos então que o primeiro exemplo não teve sentido completo, mas o segundo sim. Então, o que os dois exemplos têm em comum, diferentemente do anúncio de “fogo”? Um VERBO. Isso é o que chamamos de ORAÇÃO

ORAÇÃO É o enunciado que possui um verbo ou uma locução verbal. Pode ou não ter sentido completo.


Desta vez, observando o título do poema de Camões "Amor é fogo que arde sem se ver", temos:

"Amor é fogo que arde” – uma FRASE organizada em uma ORAÇÃO, pois possui sentido completo e um verbo. (considerando que “é” é um verbo de ligação).

"Amor é fogo que arde sem se ver" – uma FRASE organizada em ORAÇÕES, pois possui sentido completo e dois verbos.

Os dois exemplos são denominados PERÍODOS, sendo no primeiro exemplo, um período simples – possui apenas uma oração - e no segundo exemplo, um período composto – possui mais de uma oração.

PERÍODO é a frase formada por uma ou mais orações.
O período simples é constituído por uma só oração.
O período composto é constituído de duas ou mais orações.

Podemos então entender que:

  • Toda frase tem sentido completo;
  • A oração pode ou não ter sentido completo;
  • Nem toda frase apresenta verbo;
  • Toda oração possui um verbo;
  • Todo período possui uma ou mais orações;
As análises sintáticas são feitas a partir da classificação de elementos que aparecem dentro de termos essenciais da oração. São estes:
Termos essenciais: Sujeito e predicado, responsáveis pela estrutura da oração;
Termos integrantes: Objeto direto, objeto indireto, complemento nominal e o agente da passiva. Complementam o sentido de verbos e nomes;
Termos acessórios: Adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto. Não são fundamentais, modificam ou especificam outros termos.

É isso aí, pessoal! A segunda parte da série Sintaxe dará início à análise sintática dos termos essenciais da oração Sujeito (tipos de sujeito) e predicado (tipos de predicado).

Confiram esta matéria no podcast abaixo.

Com a análise sintática? Sem crises!



Para download clique aqui

Matéria estudada tendo como base: GRAMÁTICA em textos - Ed. Moderna


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Projeto de Leitura - Prática de ensino.

Oi, pessoal!!

Quero apresentar a vocês nosso Projeto de Leitura e Prática de Ensino. O projeto faz parte do conteúdo da grade do curso de Licenciatura em Letras. Corresponde a 50 horas; desde a escolha do material até a apresentação do projeto em sala de aula.

Confiram!
Projeto de Leitura

Objetivo
           Incentivar a leitura em crianças em fase de alfabetização ou já alfabetizadas, a fim de desenvolver os comportamentos leitores e o gosto pela leitura.

Desenvolvimento
            Este projeto foi desenvolvido para ser apresentado no Colégio FAMARI – Educação infantil – Ensino fundamental – Ensino Médio, em Santo André.
            Foi escolhido o livro da escritora Ruth Rocha - “No caminho de Alvinho tinha uma pedra”. O título é uma intertextualidade com o famoso poema de Carlos Drummond de Andrade “No meio do caminho”. A leitura do livro de Ruth Rocha foi feita aos alunos de primeira e segunda séries do ensino fundamental, em sala de aula. A história foi contada seguindo as regras de entonação de fala entre os diálogos. Ao fim da leitura, perguntas foram feitas aos alunos com o objetivo de obter as impressões das crianças diante do texto, estimulando-as também a aprender a ouvir o que os colegas têm a dizer, e que houvesse interação. Foram perguntas do tipo: Quem gostou da história? Qual parte da história você mais gostou? Depois disso, foram distribuídos aos alunos, livrinhos com clássicos da literatura, como “Sete anões”, “Cinderela”, “A bela e a fera”, “O patinho feio”, entre outros, sugerindo que, após a leitura, as crianças trocassem seus livros com os colegas, incentivando a interação entre o grupo, e incentivando também a troca de ideias a respeito das histórias. Houve a preocupação em separar os livros com temas para meninos e para meninas. O livro de Ruth Rocha foi deixado disponível na biblioteca da escola, para que os alunos possam lê-lo quando quiserem.

Justificativa
            A escola tem um papel fundamental para garantir o contato com os livros desde a primeira infância: encantar-se com ilustrações e começar a descobrir as letras.
            Mesmo antes de aprender a ler, as crianças devem ter contato com a literatura, e, ao ver um adulto lendo, ao ouvir uma história contada por ele, ao observar as rimas, os pequenos começam a se interessar pelo mundo das palavras.
            Em entrevista à revista Nova Escola, da editora Abril, em edição especial de número 18, Ruth Rocha, quando perguntada sobre o que acha do estímulo à leitura por meio de atividades lúdicas, responde que concorda, “desde que as propostas sejam desenvolvidas com inteligência e não transmitam a ideia de que a folia  o divertimento têm um papel maior do que a própria leitura. Além disso, os professores deveriam ler os livros antes de indicá-los aos alunos.

Resultado
            O resultado obtido nesse projeto alcançou o objetivo. As crianças demonstraram uma reação muito positiva à história contada, participaram por comentar as histórias que mais gostam de ler e sentiram-se motivadas a ler e trocar entre elas os livrinhos que ganharam.

Conclusão
            Conclui-se que projetos de leitura são, na verdade, fundamentais para alunos do curso de Letras, tendo em vista que existe a oportunidade de estar em sala de aula, ganhado experiência por vivenciar comportamentos dos alunos e suas reações. Como educadores, devemos ter engajamento em incentivar a leituras e formar cidadãos não apenas alfabetizados, mas sim, letrados, com capacidade não apenas de ler, mas também de desenvolver opinião sobre assuntos no decorrer da vida escolar ou secular.




Projeto elaborado por Mônica Lima Falsarella, Marilene Alves e Evandro Correia.



sexta-feira, 10 de junho de 2011

"O Cortiço" - Aluísio de Azevedo - Resumo da obra

 O CORTIÇO

RESENHA

            Aluísio de Azevedo usa um discurso em terceira pessoa, com um narrador onisciente, desloca o foco narrativo da maneira que melhor lhe convém para contar a história de João Romão empregado de um vendeiro que, ao voltar para sua terra, deixou-lhe como pagamento de ordenados vencidos, a venda com o que estava dentro e mais um conto e quinhentos.
            João Romão, avarento e mercenário, juntou-se com Bertoleza, uma quitandeira que também trabalhava muito. Escrava de um senhor e viúva de um português, ela vinha guardando dinheiro para sua alforria e, com esse dinheiro, João Romão comprou o terreno onde começou a construção do cortiço.
            Instintivamente Bertoleza procurava alguém de uma raça superior, e por isso, juntou-se ao vizinho dando o máximo de si, trabalhando de sol a sol para ajudar o amante, que na ânsia do enriquecimento rouba, explora e até escraviza a companheira.
            O conflito começa quando Miranda, um rico atacadista de tecidos, se instala no sobrado, ao lado da taberna de João Romão, que fica cada vez mais determinado a enriquecer, construindo casinhas e alugando para brasileiros, portugueses, negros, mulatos; e o cortiço cresce e torna-se um agrupamento humano de pessoas excluídas, os pobres, os humildes e de todas as raças.
            Os preceitos naturalistas de que o meio determina o homem aparece quando moradores do cortiço, como Jerônimo, um homem forte, trabalhador e honesto que vivia para sua mulher Piedade se apaixona por uma morena, bonita e sensual que gosta festas a Rita Baiana e depois de deixar a esposa e viver com ela, passa a ser preguiçoso e malandro evidenciando a influência da cultura brasileira sobre a portuguesa.
            Quando Miranda recebe o título de barão, João Romão percebe que ter dinheiro não é suficiente e passa a ter desejos de ascensão social; ele reforma todo o cortiço e a sua taverna passa a um prédio melhor que o do vizinho, para mostra poder. Depois ele se aproxima de Miranda e pede a mão de sua filha em casamento para assim, ascender socialmente, tornando-se um aristocrata.
            Bertoleza, não aceita a traição do amante e exige desfrutar de tudo que construiu junto a ele, e passa a ser uma pedra no sapato de João Romão que planeja entregá-la ao herdeiro de seu dono. Ao perceber que foi enganada o tempo todo por João Romão e que não terá saída se não voltar à escravidão, Bertoleza se suicida, deixando livre o caminho para o sórdido João Romão.
            Aluisio de Azevedo descreve uma existência miserável e denuncia os preconceitos e a exploração do homem pelo mesmo homem, em o cortiço ele denuncia as diferenças, as mazelas sociais e morais da época.

            Os escritores naturalistas, como os realistas, procuraram dar ao texto um caráter imparcial, mais focado ao “olhar científico” com que buscam tratar as personagens. A descrição dos ambientes cria a realidade de maneira “fotográfica”, que montam um quadro final claro e preciso. Segundo o crítico Alfredo Bosi, o escritor naturalista Aluísio de Azevedo “[...] em O Cortiço atinou de fato com a fórmula que se ajustava ao seu talento: desistindo de montar um enredo em função de pessoas, ateve-se à sequência de descrições muito precisas onde cenas coletivas e tipos psicologicamente primários fazem, no conjunto do cortiço a personagem mais convincente do nosso romance naturalista.” (p. 190)

                        “Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. [...]”

            O crítico literário Domício Proença descreve esta característica da escola  literária, dizendo que “há no Naturalismo uma acentuada preferência por temas de patologia social com a mesma intenção realista de reformar a sociedade. Na obra são encontrados verbos e substantivos para mostrar a animalização das personagens. Além de referir-se a elas como “machos” e “fêmeas”, o narrador ainda usa verbos que normalmente são utilizados no trabalho com animais, como o verbo “escova”, geralmente usado no trato com éguas.

            “Escove-a, escove-a! Que a porá macia que nem veludo! [...]”

            A característica marcante do Realismo – Naturalismo é o esvaziamento dos ideais do Romantismo, que até então jamais mostraria a intimidade dos amantes, agora expõe a sexualidade explícita nos textos naturalistas.

            “[...] a cabeça ora para a esquerda, ora para a direita, como numa sofreguidão de gozo carnal, num requebrado luxurioso e ofegante... a tremer toda, como se fosse afundando num prazer grosso que nem azeite... [...]”

            Nesse respeito, o crítico Antônio Cândido e José Aderaldo Castello, explicam esse esvaziamento do Romantismo como sendo “compreensível que os realistas e naturalistas preferissem temas ligados aos costumes regionais, aos aspectos sexuais da conduta, à análise psicológica, que aprofundaram singularmente”.
            A conclusão é que os escritores naturalistas pretenderam colocar a literatura como uma visão ou um olhar para a realidade, utilizando-se de determinismo, que apresenta o homem como produto do meio e do momento em que vive.

Bibliografia:
AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo: Pallus, 2002 – (Coleção Nossa Literatura) (p. 28, 29, 71)
BOSI, Alfredo, 1936 – História concisa da Literatura Brasileira – 43 ed. – São Paulo : Cultrix, 2006 (p. 190)
CÂNIDO, Antônio; CASTELLO, José Aderaldo. Presença as Literatura Brasileira: Do Romantismo ao Simbolismo – Ed. Difel. São Paulo, 1974 (p. 96)
PROENÇA, Domício. Estilos de época na literatura. Ed. Liceu; 4. Ed. Rio de Janeiro, 1973.

domingo, 5 de junho de 2011

Memórias Póstumas de Brás Cubas - Resumo da obra

      
Oi, pessoal!

Apresento a vocês o resumo de uma das obras literárias mais reconhecidas da Literatura Brasileira, feita por minhas colegas de faculdade Camila D'Andrea e Juliana Caetano. Agradeço a elas pela participação no Crase sem Crise!


Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

 Memórias Póstumas de Brás Cubas é a obra que abre o Realismo, a história narrada pelo defunto-autor que conta sua vida sem esconder nenhum detalhe, todas as suas frustrações e as mudanças sofridas pelo personagem no decorrer de sua existência.
                 “A revolução dessa obra, que parece cavar um fosso entre dois mundos, foi uma revolução ideológica e formal: aprofundado o desprezo às idealizações românticas e ferindo no cerne o mito do narrador onisciente, que tudo vê e tudo julga, deixou emergir a consciência nua do indivíduo, fraco e incoerente. O que restou foram as memórias de um homem igual a tantos outros, o cauto e desfrutador Brás Cubas.”
                A história começa com a sua morte retornando para seu nascimento, o narrador toma essa atitude por contar suas memórias após sua morte e por achar mais apropriado. “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi o outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim, mais galante e mais novo.”
                Na história ele mostra a realidade da vida burguesa, os pensamentos e as traições escondidas da sociedade. Na sua infância com os maus exemplos por parte de seus tios e a super proteção de seus pais, o tornaram a pessoa que ele é, uma criança malvada e mimada e depois um adulto sem juízo. Ele usa esses exemplos como motivos para ele ter se tornado o homem que se tornou. “Dessa terra e desse estrume é que nasceu esta flor
                Em sua juventude se envolveu com Marcela, interessada apenas em dinheiro, diferentemente do Romantismo, que viviam um amor idealizado, nesta obra Machado nos leva ao jogo de interesses, ao relacionamento para satisfação da carne, quando “Há um esforço, por parte do escritor anti-romântico, de acercar-se impessoalmente dos objetos, das pessoas. E uma sede de objetividade que responde aos métodos científicos cada vez mais exatos nas últimas décadas do século.” - (Bosi) É marcante na obra, a presença da ironia que Machado de Assis cria no personagem Brás Cubas, ao se referir a Marcela: "...Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis".
                Já na fase adulta, Brás Cubas se envolve com Virgília, um caso extra-conjugal, uma aventura, apesar de se dizer apaixonado, Brás Cubas nunca leva Virgília a sério, e ela também não o leva, o relacionamento era por interesse, por amor, mas  não tinha compromisso. “vacilava entre um querer e um não querer, entre a piedade que me puxava à casa de Virgília e outro sentimento, - egoísmo, supúnhamos...”
                Brás Cubas encontra com Quincas Borba e fascina-se com a teoria do Humanitas, criada pelo amigo. Humanistas é a forma que Machado encontrou para ironizar as correntes filosóficas da época. No fim de sua vida ele reencontra Virgília, já de cama em seu delírio de morte, Brás Cubas faz seu balanço de morte, ou melhor, de vida; das coisas que fez ou das coisas que queria ou pretendia ter feito e chega à conclusão que mesmo não tendo realizado nada de grandioso na vida, já que falhara no Emplasto Brás cubas, pelo menos não teve que trabalhar para ter a vida que teve, Brás Cubas foi um burguês que viveu, dançou e aproveitou a vida com suas riquezas e desfrutou dos prazeres que ela oferece sem comprar o pão com o suor de seu rosto. “Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui Califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto.”
                Segundo Bosi “desnudam-se as mazelas da vida pública e os contrastes da vida íntima; e buscam-se para ambas causas naturais (raça, clima, temperamento) ou culturais (meio, educação) que eles reduzem de muito a área de liberdade” .
                Machado conseguiu transmitir em sua obra essas características próprias dos romances realistas, ele mostrou o contraste entre a vida íntima e a vida pública, mergulhou no interior do personagem Brás Cubas, que em vários momentos durante a obra mostrou alguns pensamentos que não eram aprovados pela sociedade e outros que são comuns à  sociedade, mas ninguém,exceto aquele que contava a história, tinha coragem de falar. “Mas eu não tenho aparelhos químicos como não tinha remorsos tinha vontade de ser ministro de Estado.”


Referências Bibliográficas
BOSI, Alfredo. História Concisa da literatura Brasileira. Edição 45.
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Editora Ciranda Cultural.

terça-feira, 31 de maio de 2011

O tesouro - Eça de Queirós - Resumo, Simbologia, Realismo em Portugal


Trabalho acadêmico referente à obra "O Tesouro" - Eça de Queirós




Resumo

            A narrativa “O tesouro” descreve a história de três irmãos de Medranhos: Rui, Guanes e Rostabal, que viviam em plena miséria a ponto de, em noites de frio intenso e nevasca, pernoitarem no estábulo que abrigava suas três éguas, já que a velha choupana em que habitavam era descoberta de telhas e vidros.
            Em certa manhã de domingo, enquanto procuravam pegadas de caça, encontraram em Roquelanes um velho cofre de ferro, com três fechaduras e três chaves. Ao mesmo tempo em que abriram o cofre e mergulharam no ouro, a desconfiança tomou conta dos três, que imediatamente levaram as mãos ao cabo de suas espadas. Rui, descrito como sendo aparentemente o líder dos três, argumenta que o tesouro vinha de Deus, e que deveria ser dividido em três partes. Porém, parecia perigoso sair dali com tanto ouro, sendo necessário arrumarem uma maneira segura de transportá-lo. Decidiram que Guanes, por ser o mais leve dentre eles, deveria pegar uma parte do ouro e ir à cidade de Retortilho comprar alforjes, vinho e comida para eles e para as éguas a fim de aguetarem a caminhada de volta.
            Guanes, então, assegura-se de levar consigo a sua chave e sai em cavalgada até a cidade para comprar os mantimentos e, no caminho sai cantarolando:
            Olé! Olé!
            Sale la cruz de la iglésia
            Vestida de negro luto...

            Enquanto aguardam o irmão mais novo voltar, Rui e Rostabal conversam entre si que Guanes não deveria estar com eles, pois havia se recusado mais cedo a fazer a caminhada, e que isso deveria ser má sorte para ele. Ambos chegam à conclusão de que Guanes também era egoísta, que jamais dividiria o tesouro com eles, por isso decidem matá-lo.
            Rostabal esconde-se aguardando a volta de Guanes, com a espada em punho, quando escuta Guanes se aproximando:
Olé! Olé!
Sale la cruz de la inglésia,
Vestida de negro luto...

            Rostabal desfere um golpe de espada abaixo do ventre do irmão, a pedido de Rui, que também não se esquece de pedir para Rostabal pegar a chave de Guanes.  Após o feito, Rostabal, ao lavar-se do sangue do irmão, é atacado no coração por Rui, com um golpe pelas costas.
            Possuindo agora as três chaves, Rui abre o cofre, olha as garrafas de vinho, as azeitonas e a carne assada que Guanes trouxera e, sentindo fome e ignorando o fato de que havia ali apenas duas garrafas do vinho, decide comer e beber. Deliciando-se com a comida, com o vinho e com o tesouro em suas mãos, Rui sente que algo o queima por dentro. Rui que até então era o mais safo entre eles, grita então pelos irmãos Guanes e Rostabal, e percebe que o que tomara era veneno e que a intenção do irmão mais novo era igual à dele: de matar os irmãos e ficar com o tesouro sozinho. Agonizando, Rui morre envenenado.
            A história conta que até hoje o tesouro encontra-se na mata de Roquelanes.

Sobre o autor
            Eça de Queirós (1845 – 1900) é considerado o mais importante ficcionista do Realismo em Portugal e um dos maiores em língua portuguesa. Exerceu influência não só sobre escritores portugueses, mas também sobre as literaturas brasileiras e espanholas.
            O objetivo do autor em seus escritos foi adequar sua visão de mundo, criando um estilo solto, livre e transparente, em uma linguagem expressiva, que, incorporado à língua corrente em Lisboa, também contribuiu para aumentar seu público.

O Realismo em Portugal
            Além de significar uma renovação da própria literatura, nas suas formas de expressão: temas, linguagem e visão de mundo, a escola literária representou uma tentativa de tirar todo o país da mentalidade romântico-cristã e levá-lo à “modernidade”, por meio de contato com as novas ideias filosóficas e científicas que circulavam a Europa.
            O Realismo teve início em 1865 com a questão Coimbrã. Nessa época, haviam cessado as lutas entre os liberais e as facções que representavam a monarquia deposta pela revolução de 1820, sendo consolidado o liberalismo. Porém, apesar das mudanças no cenário político e cultural, a literatura portuguesa ainda se encontrava impregnada de velhas ideias românticas e árcades, e o Realismo foi o “esvaziamento” dessas ideias.



O conto “O tesouro” e suas características no Realismo
            Eça de Queirós consegue, em poucas páginas, revelar o relacionamento humano, o caráter de egoísmo, ganância, inveja e cobiça: características marcantes do Realismo.   A cobiça seguida de traição é a característica marcante do conto que prende a atenção do leitor. Eça utiliza-se de simbologia, fina ironia, e prova que os meios de vida interferem e corrompem a mente humana. A exemplo disso, os irmãos Medranhos, que viviam em extrema miséria, têm suas mentes corrompidas diante de tantas dificuldades e ao se depararem com um tesouro que mudaria suas vidas, revelam-se egoístas. O autor mostra que, diante de situações conflitantes e atípicas ao indivíduo, seu verdadeiro e mais deprimente caráter é revelado. A ideia de “ou tudo ou nada” representada pelas atitudes dos personagens, trazendo-lhes um final trágico, remete ao bom leitor a uma ideia oposta, de “quem tudo quer, tudo perde”.




Simbologia
            O conto “O tesouro” é enriquecido com uma simbologia que passa para o leitor não-amador, aspectos do caráter psicológico da alma humana. Detalhes desses símbolos tornam o espaço na obra macabro e sombrio, subjetivando dois temas: fraternidade familiar versus ambição, na qual esta última revela o poder do egoísmo e suas consequências.

TRÊS
Durante a narrativa, realista em terceira pessoa, nota-se a presença marcante do número três, que, além de outros significados, refere-se na obra à representação de um inteiro. Como uma família, que é representada por pai, mãe e filho, numa respectiva hierarquia, os irmãos Medranhos possuem tal hierarquia. Simbolistas também utilizam o “três” em associação aos três reis magos, citados na bíblia, além de existir também, a representação católica da trindade. Temos isso em vários fragmentos, como no exemplo abaixo:
“Os três irmãos de Medranhos...”
“... a comprar três alforjes de couro, três maquias de cevada, três empadões de carne e três botelhas de vinho.”
“... três chaves nas suas três fechaduras...”

TELHA
Faz-se referência à ausência de vidraça e telha na casa dos irmãos no primeiro momento. No segundo, a telha é citada fazendo parte da imaginação de Rui. Segundo a simbologia, “telha” significa proteção, mas quando o ambiente é destelhado, as más influências corrompem o homem.
“... o vento da serra levara vidraça e telha, passavam eles tardes desse inverno...”
“... pensava em Medranhos coberto de telha nova, nas altas chamas da lareira por noites de neve...”

LAREIRA
A lareira, na simbologia, é o “centro de vida”, pois traz calor e luz ao lar. No conto, ela é descrita primeiramente como “lareira negra”, passando a ter significado oposto, e por uma segunda vez, é citada em uma das viagens psicológicas de Rui, ao imaginar-se rico. Temos isso nos respectivos fragmentos:
“... diante da vasta lareira negra, onde desde então não estalava lume, nem fervia panela de ferro...”
“... pensava em Medranhos coberto de telha nova, nas altas chamas da lareira por noites de neve...”







ÁGUA
Em muitos trechos, a água é citada. Tanto em forma de “fio de água”, como “fonte”, que lavava o morto. A simbologia da água é riquíssima, mas representa principalmente a “vida”, e a “purificação” tanto em seu nascimento (fonte) como em seu estado inerte (tanque). Temos tais referências nos fragmentos:
“Rostabal caiu sobre o tanque, sem um gemido, com a face na água, os longos cabelos flutuando na água.”
“... entre uivos, procurava o fio de água, que recebia pelos olhos, pelos cabelos.”
“A fonte, cantando, lavava o outro morto.”

VINHO
O vinho, segundo a simbologia, representa sangue. Sangue este, derramado por todos os personagens do conto.

CORVO
A figura do corvo aparece no conto por mais de uma vez. Segundo a simbologia, o corvo representa mau agouro, é a ave negra dos românticos.
“Um bando de corvos passou sobre eles, grasnando”

PLUMA
A pluma é representada na simbologia um canal que faz com que as orações subam até o céu. No conto, ela aparece por duas vezes, sendo que, na última, aparece quebrada, cortando a possibilidade de dessa comunicação. Após o assassinato de Guanes, a pluma de Rostabal é citada como quebrada e torta.
“Rostabal, adiante, fugindo com a pluma do sombrero quebrada e torta...”

RUIVO
Rui, personagem mais ativo desde o começo até o fim do conto, é um homem ruivo. Desde as iniciais de seu nome, até suas atitudes, mostram que a simbologia do ruivo é muito importante na obra. Segundo a simbologia, o ruivo representa fogo impuro. Segundo alguns estudiosos, Judas Escariotes, personagem bíblico que trai Jesus, era ruivo.
“Então Rui, que era gordo e ruivo...”

OURO
Embora a simbologia do ouro seja repleta de significados, na obra, aplica-se bem a seguinte significação: O ouro moeda (tesouro) é de perversão e exaltação impura dos desejos.
“E dentro, até as bordas, estava cheio de dobrões de ouro!”






MÚSICA FÚNEBRE
A música cantada por Guanes em sua partida e em sua chegada representa luto, e preconizava má intenção:

Olé! Olé!
Sale la cruz de la iglesia,
Vestida de negro luto . . .



Conclusão
            O escritor realista expôs, de forma brilhante, a fraqueza de espírito existente nos personagens e mostrou até que ponto o poder corrompedor que a vida, a sociedade e os meios podem exercer sobre o caráter humano que é refletido em suas atitudes. É um conto realista de leitura obrigatória.



Bibliografia:


            Dicionário de Símbolos - Jean Chevalier/Alain Gheerbrant
            Mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números.
            Ed. Robert Laffont S.A. e Ed. Jupiter, 1982
            Direitos adquiridos para a língua portuguesa, no Brasil, pela
            LIVRARIA JOSÉ OLYMPIO EDITORA S.A. - 10ª edição

            Panorama da Literatura Portuguesa
            CEREJA, Willian Roberto
            Magalhães, Thereza Conchar
            Editora Atual, 1997


Por Mônica Lima Falsarella