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terça-feira, 31 de maio de 2011

O tesouro - Eça de Queirós - Resumo, Simbologia, Realismo em Portugal


Trabalho acadêmico referente à obra "O Tesouro" - Eça de Queirós




Resumo

            A narrativa “O tesouro” descreve a história de três irmãos de Medranhos: Rui, Guanes e Rostabal, que viviam em plena miséria a ponto de, em noites de frio intenso e nevasca, pernoitarem no estábulo que abrigava suas três éguas, já que a velha choupana em que habitavam era descoberta de telhas e vidros.
            Em certa manhã de domingo, enquanto procuravam pegadas de caça, encontraram em Roquelanes um velho cofre de ferro, com três fechaduras e três chaves. Ao mesmo tempo em que abriram o cofre e mergulharam no ouro, a desconfiança tomou conta dos três, que imediatamente levaram as mãos ao cabo de suas espadas. Rui, descrito como sendo aparentemente o líder dos três, argumenta que o tesouro vinha de Deus, e que deveria ser dividido em três partes. Porém, parecia perigoso sair dali com tanto ouro, sendo necessário arrumarem uma maneira segura de transportá-lo. Decidiram que Guanes, por ser o mais leve dentre eles, deveria pegar uma parte do ouro e ir à cidade de Retortilho comprar alforjes, vinho e comida para eles e para as éguas a fim de aguetarem a caminhada de volta.
            Guanes, então, assegura-se de levar consigo a sua chave e sai em cavalgada até a cidade para comprar os mantimentos e, no caminho sai cantarolando:
            Olé! Olé!
            Sale la cruz de la iglésia
            Vestida de negro luto...

            Enquanto aguardam o irmão mais novo voltar, Rui e Rostabal conversam entre si que Guanes não deveria estar com eles, pois havia se recusado mais cedo a fazer a caminhada, e que isso deveria ser má sorte para ele. Ambos chegam à conclusão de que Guanes também era egoísta, que jamais dividiria o tesouro com eles, por isso decidem matá-lo.
            Rostabal esconde-se aguardando a volta de Guanes, com a espada em punho, quando escuta Guanes se aproximando:
Olé! Olé!
Sale la cruz de la inglésia,
Vestida de negro luto...

            Rostabal desfere um golpe de espada abaixo do ventre do irmão, a pedido de Rui, que também não se esquece de pedir para Rostabal pegar a chave de Guanes.  Após o feito, Rostabal, ao lavar-se do sangue do irmão, é atacado no coração por Rui, com um golpe pelas costas.
            Possuindo agora as três chaves, Rui abre o cofre, olha as garrafas de vinho, as azeitonas e a carne assada que Guanes trouxera e, sentindo fome e ignorando o fato de que havia ali apenas duas garrafas do vinho, decide comer e beber. Deliciando-se com a comida, com o vinho e com o tesouro em suas mãos, Rui sente que algo o queima por dentro. Rui que até então era o mais safo entre eles, grita então pelos irmãos Guanes e Rostabal, e percebe que o que tomara era veneno e que a intenção do irmão mais novo era igual à dele: de matar os irmãos e ficar com o tesouro sozinho. Agonizando, Rui morre envenenado.
            A história conta que até hoje o tesouro encontra-se na mata de Roquelanes.

Sobre o autor
            Eça de Queirós (1845 – 1900) é considerado o mais importante ficcionista do Realismo em Portugal e um dos maiores em língua portuguesa. Exerceu influência não só sobre escritores portugueses, mas também sobre as literaturas brasileiras e espanholas.
            O objetivo do autor em seus escritos foi adequar sua visão de mundo, criando um estilo solto, livre e transparente, em uma linguagem expressiva, que, incorporado à língua corrente em Lisboa, também contribuiu para aumentar seu público.

O Realismo em Portugal
            Além de significar uma renovação da própria literatura, nas suas formas de expressão: temas, linguagem e visão de mundo, a escola literária representou uma tentativa de tirar todo o país da mentalidade romântico-cristã e levá-lo à “modernidade”, por meio de contato com as novas ideias filosóficas e científicas que circulavam a Europa.
            O Realismo teve início em 1865 com a questão Coimbrã. Nessa época, haviam cessado as lutas entre os liberais e as facções que representavam a monarquia deposta pela revolução de 1820, sendo consolidado o liberalismo. Porém, apesar das mudanças no cenário político e cultural, a literatura portuguesa ainda se encontrava impregnada de velhas ideias românticas e árcades, e o Realismo foi o “esvaziamento” dessas ideias.



O conto “O tesouro” e suas características no Realismo
            Eça de Queirós consegue, em poucas páginas, revelar o relacionamento humano, o caráter de egoísmo, ganância, inveja e cobiça: características marcantes do Realismo.   A cobiça seguida de traição é a característica marcante do conto que prende a atenção do leitor. Eça utiliza-se de simbologia, fina ironia, e prova que os meios de vida interferem e corrompem a mente humana. A exemplo disso, os irmãos Medranhos, que viviam em extrema miséria, têm suas mentes corrompidas diante de tantas dificuldades e ao se depararem com um tesouro que mudaria suas vidas, revelam-se egoístas. O autor mostra que, diante de situações conflitantes e atípicas ao indivíduo, seu verdadeiro e mais deprimente caráter é revelado. A ideia de “ou tudo ou nada” representada pelas atitudes dos personagens, trazendo-lhes um final trágico, remete ao bom leitor a uma ideia oposta, de “quem tudo quer, tudo perde”.




Simbologia
            O conto “O tesouro” é enriquecido com uma simbologia que passa para o leitor não-amador, aspectos do caráter psicológico da alma humana. Detalhes desses símbolos tornam o espaço na obra macabro e sombrio, subjetivando dois temas: fraternidade familiar versus ambição, na qual esta última revela o poder do egoísmo e suas consequências.

TRÊS
Durante a narrativa, realista em terceira pessoa, nota-se a presença marcante do número três, que, além de outros significados, refere-se na obra à representação de um inteiro. Como uma família, que é representada por pai, mãe e filho, numa respectiva hierarquia, os irmãos Medranhos possuem tal hierarquia. Simbolistas também utilizam o “três” em associação aos três reis magos, citados na bíblia, além de existir também, a representação católica da trindade. Temos isso em vários fragmentos, como no exemplo abaixo:
“Os três irmãos de Medranhos...”
“... a comprar três alforjes de couro, três maquias de cevada, três empadões de carne e três botelhas de vinho.”
“... três chaves nas suas três fechaduras...”

TELHA
Faz-se referência à ausência de vidraça e telha na casa dos irmãos no primeiro momento. No segundo, a telha é citada fazendo parte da imaginação de Rui. Segundo a simbologia, “telha” significa proteção, mas quando o ambiente é destelhado, as más influências corrompem o homem.
“... o vento da serra levara vidraça e telha, passavam eles tardes desse inverno...”
“... pensava em Medranhos coberto de telha nova, nas altas chamas da lareira por noites de neve...”

LAREIRA
A lareira, na simbologia, é o “centro de vida”, pois traz calor e luz ao lar. No conto, ela é descrita primeiramente como “lareira negra”, passando a ter significado oposto, e por uma segunda vez, é citada em uma das viagens psicológicas de Rui, ao imaginar-se rico. Temos isso nos respectivos fragmentos:
“... diante da vasta lareira negra, onde desde então não estalava lume, nem fervia panela de ferro...”
“... pensava em Medranhos coberto de telha nova, nas altas chamas da lareira por noites de neve...”







ÁGUA
Em muitos trechos, a água é citada. Tanto em forma de “fio de água”, como “fonte”, que lavava o morto. A simbologia da água é riquíssima, mas representa principalmente a “vida”, e a “purificação” tanto em seu nascimento (fonte) como em seu estado inerte (tanque). Temos tais referências nos fragmentos:
“Rostabal caiu sobre o tanque, sem um gemido, com a face na água, os longos cabelos flutuando na água.”
“... entre uivos, procurava o fio de água, que recebia pelos olhos, pelos cabelos.”
“A fonte, cantando, lavava o outro morto.”

VINHO
O vinho, segundo a simbologia, representa sangue. Sangue este, derramado por todos os personagens do conto.

CORVO
A figura do corvo aparece no conto por mais de uma vez. Segundo a simbologia, o corvo representa mau agouro, é a ave negra dos românticos.
“Um bando de corvos passou sobre eles, grasnando”

PLUMA
A pluma é representada na simbologia um canal que faz com que as orações subam até o céu. No conto, ela aparece por duas vezes, sendo que, na última, aparece quebrada, cortando a possibilidade de dessa comunicação. Após o assassinato de Guanes, a pluma de Rostabal é citada como quebrada e torta.
“Rostabal, adiante, fugindo com a pluma do sombrero quebrada e torta...”

RUIVO
Rui, personagem mais ativo desde o começo até o fim do conto, é um homem ruivo. Desde as iniciais de seu nome, até suas atitudes, mostram que a simbologia do ruivo é muito importante na obra. Segundo a simbologia, o ruivo representa fogo impuro. Segundo alguns estudiosos, Judas Escariotes, personagem bíblico que trai Jesus, era ruivo.
“Então Rui, que era gordo e ruivo...”

OURO
Embora a simbologia do ouro seja repleta de significados, na obra, aplica-se bem a seguinte significação: O ouro moeda (tesouro) é de perversão e exaltação impura dos desejos.
“E dentro, até as bordas, estava cheio de dobrões de ouro!”






MÚSICA FÚNEBRE
A música cantada por Guanes em sua partida e em sua chegada representa luto, e preconizava má intenção:

Olé! Olé!
Sale la cruz de la iglesia,
Vestida de negro luto . . .



Conclusão
            O escritor realista expôs, de forma brilhante, a fraqueza de espírito existente nos personagens e mostrou até que ponto o poder corrompedor que a vida, a sociedade e os meios podem exercer sobre o caráter humano que é refletido em suas atitudes. É um conto realista de leitura obrigatória.



Bibliografia:


            Dicionário de Símbolos - Jean Chevalier/Alain Gheerbrant
            Mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números.
            Ed. Robert Laffont S.A. e Ed. Jupiter, 1982
            Direitos adquiridos para a língua portuguesa, no Brasil, pela
            LIVRARIA JOSÉ OLYMPIO EDITORA S.A. - 10ª edição

            Panorama da Literatura Portuguesa
            CEREJA, Willian Roberto
            Magalhães, Thereza Conchar
            Editora Atual, 1997


Por Mônica Lima Falsarella

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Divulgação

Próximo Encontro da Academia Popular de Letras

Dia 28 de maio (sábado) 10h

- Declamações, Leitura de Crônicas e Contos  (inscrições na entrada).
Antologia Poética : Confirmar participações
Virada Cultural : Votação sobre participação

Ponto de encontro dos escritores das 7 cidades, a Biblioteca dá continuidade as suas atividades educacionais de ação e animação cultural, com um evento repleto de novidades, com autores talentosos, obras diversificadas, interessantes, necessárias e atuais.


- Lançamentos de Livros:


“Torne suas aulas de português um momento agradável”
do professor e escritor Sérgio Simka.

Este livro contém sugestões e reflexões que tornarão as aulas de Português um momento mais agradável porque, além de abordar assuntos importantes, desenvolvendo criatividade, autoestima, estratégias de produção textual ancoradas na Pedagogia do Encantamento, se destina ao professor que considera o aluno, não como um mero registro escolar falante, mas como um ser humano que merece, antes de quaisquer teorias de cunho pedagógico, linguístico, psicológico, sociológico etc., o nosso respeito e admiração.  


  

“Coisas do Povo do Santo” do Prof. Dr. Sidnei Barreto Nogueira, coordenador do curso de Letras da Faculdade Anhanguera de São Caetano do Sul.
Este livro, como o próprio título anuncia, trata das “coisas do Povo do Santo”, expressão comum entre os adeptos das comunidades-terreiro de Candomblé no Brasil. Cantos, danças, trajes rituais, comidas, divindades e uma série de outros elementos de origem Yorubá são revelados ao leitor, iniciado ou não, por meio de uma linguagem acessível e capaz de conduzir o interessado a uma roda de conversa própria das sociedades de tradição oral.

  
“Reminiscências” da pedagoga, escritora e jornalista, Marina Rolim que na sua coletânea poética fala de solidão, frustações, decepções amorosas, de dúvidas comuns ao ser humano, do cotidiano, das lutas e de seus anseios de amor. 



Os Poetas e as Poetisas, Mírian Warttusch, J.Udine, Ivan Ferretti Machado, Dáguima Verônica, Maria Valéria Revoredo, Jacó Filho e Camélia La Blanca com muita alegria lançam "EuAcredito Em Palhaço". Os poemas de cada um desses escritores são uma singela homenagem a aqueles que têm a missão de levar a alegria e a felicidade aos corações de todas as pessoas do mundo.


Dia 28 de maio de 2011 – sábado  - 10h
Local: Biblioteca Municipal Paul Harris
Av. Dr. Augusto de Toledo, 255 esquina com a Av. Goiás
Bairro Santa Paula – São Caetano do Sul – SP
4229-0245   4229-9332    4229-1214

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Macbeth - Shakespeare - Resumo da obra

Conteúdo apresentado através de seminário de Literatura Inglesa











Resumo
            Macbeth e seu amigo Banquo eram generais do exército da Escócia. Enquanto cavalgavam, ouviram vozes. Tratava-se de três bruxas que profetizaram que Macbeth ganharia o cargo General de Cawdor – o de mais alta confiança do Rei, e posteriormente, seria coroado Rei da Escócia.
            Somente poderia tornar-se rei os filhos ou, na ausência destes, o general de Cawdor. Tendo isso em vista, Macbeth sabia que para essa profecia tornar-se realidade, seria necessário atravessar a hierarquia de algumas pessoas, mas principalmente do filho do Rei, o jovem Malcom. Além disso, seu amigo Banquo, que já o avisara que essa ambição traria a ele muitas consequências, era a principal testemunha profecia das bruxas e desconfiaria de qualquer atitude de Macbeth.
            Após vencerem uma batalha contra a Noruega, os generais foram procurados por mensageiros de Duncan, naquele momento, Rei da Escócia, que informam a eles que o Rei quer parabenizar Macbeth pela vitória contra a Noruega e que irá torná-lo general de Cawdor.
            Com a primeira parte da profecia já realizada, Macbeth acredita mais ainda nas bruxas de que logo seria coroado Rei. Resolve então contar os ocorridos para sua esposa, que exercia forte influência sobre ele e decidem cometer uma série de assassinatos, começando pelo amigo Banquo. 
            A sua esposa então, começa a tramar a morte do Rei Duncan para logo tornar-se rainha. Organiza uma festa em sua casa com o pretexto de que todos assistissem à morte de um traidor do Rei. A festa acontece e o homem é enforcado. Quando todos os hóspedes vão dormir, a esposa de Macbeth dá orientações a seu esposo de como tudo deveria ser feito. Começa então servindo vinho aos camareiros que fazem a guarda do Rei, e isso os faz dormir mais profundamente. A caminho do quarto onde o Rei dormia, Macbeth começa a ter visões de um punhal, o que estranha. Ele então entra no quarto e mata o Rei com o punhal. Logo em seguida, Macbeth começa a ter outras visões, a ouvir vozes, mas logo acha que tudo aquilo era só imaginação. Sua esposa coloca o punhal usado nas mãos de um dos camareiros com o objetivo de incriminá-los. Ao amanhecer, os mensageiros do Rei chegam para acordá-lo e deparam-se com o Rei morto. Aos gritos, todos acordam e Macbeth, encenando desespero, mata os camareiros do Rei na frente de todos, dizendo que aqueles eram os perigosos assassinos.
            O filho do Rei, Malcom e seu companheiro, o nobre Macduff, fogem para a Inglaterra, com medo de serem incriminados pelo assassinato.
            Macbeth que já era general de Cawdor, e na ausência de filhos do Rei, é então coroado Rei da Escócia. Porém, já na festa de seu reinado, o fantasma do Rei Duncan e de Banquo aparecem para ele. Sua esposa, agora chamada de Lady Macbeth, que antes poderia ser condiderada uma mulher tímida, recatada e de bem, após revelar sua ganância, egoísmo e poder de persuadir o esposo, também passa a ter delírios e crises de sonambulismo.  Em uma dessas crises, Lady Macbeth, inconscientemente revela ao médico e à sua camareira que a observavam, que tem culpa nos assassinatos. Faz repetidamente o gesto de lavar as imaginárias manchas de sangue das mãos e isso também a denuncia. Posteriormente, Lady Macbeth comete suicídio.
            Macbeth, ignora a morte da esposa, argumentando que ela teria que morrer "em uma melhor hora." Cansado de ter visões, Macbeth vai consultar novamente as bruxas. Numa segunda profecia, as bruxas dizem que ele só seria derrotado se um “bosque chegasse ao castelo”, e que ele não precisaria preocupar-se, pois “nenhum homem nascido de mulher” poderia matá-lo, porém avisa-o para tomar cuidado com Macduff, o nobre que fugiu com Malcom, filho do Rei.
           Ambas as profecias pareciam impossíveis: que um bosque chegasse ao castelo e que existisse de um homem que não houvesse nascido de mulher, assim, Macbeth sentia-se seguro mas, por precaução , manda matar a esposa e todos os filhos de Macduff. 
            Mensageiros procuram Macduff na Inglaterra, e quando contam a ele a tragédia com sua família, Macduff decide voltar para a Escócia, mas para guerrear contra Macbeth.
               Com a ajuda de 10.000 homens do exército inglês, aproximam-se então do castelo. Os soldados ingleses, para se camuflarem, seguravam troncos e ramos de árvores e isso, sendo visto de longe, parecia um bosque ou uma montanha em movimento, cumprindo-se então a primeira parte da segunda profecia das bruxas.
            Começa então a guerra entre os exércitos e o duelo entre Macbeth e Macduff. Durante a luta, Macbeth diz ao oponente que está seguro porque nenhum homem nascido de mulher poderia matá-lo, mas Macduff revela a ele que não nasceu, e sim, foi tirado prematuramente do ventre da mãe por cesariana. Macduff então mata Macbeth e tira-lhe a cabeça. Assim, em grande festa, Malcom, filho do Rei Duncan é então coroado e consagrado Rei da Escócia.



Resumo da obra elaborado por Mônica Lima Falsarella

domingo, 24 de abril de 2011

Cuidado ao desejar que alguém se EXPLODA! - Verbo


Quem, um dia na vida, não disse a frase: “Que se exploda!”


Seja lá qual tenha sido o motivo pelo qual você desejou isso, caro leitor, desejou errado. Até nesse momento, não use mal a Língua Portuguesa.
O verbo explodir faz parte de uma categoria muito especial de verbos. São os chamados DEFECTIVOS (ou defeituosos, em termos mais práticos), que não podem ser conjugados em todos os tempos e/ou pessoas.  Esses verbos não têm uma conjugação completa devido à falta de eufonia em algumas de suas flexões.





  Tente, por exemplo, usar o verbo “demolir” na primeira pessoa do singular do presente do indicativo (eu). Ficaria assim:

“Eu demolo casas para construir outras.”

Neste exemplo, podemos substituir o verbo por outro que dê o mesmo sentido:

“Eu derrubo casas para construir outras.”

O verbo “explodir”, conforme o tema do artigo, não possui conjugação na forma verbal do presente do subjuntivo, nenhuma pessoa: que eu exploda, que tu explodas, etc.

Para exemplificar, abaixo temos um verbo “cantar” que pode ser conjugado em todas as pessoas, e também no presente do subjuntivo:


Agora, a conjugação do verbo explodir e de outros verbos defectivos:

Explodir 

Colorir

Demolir

Desafio então você, leitor. Tente conjugar o verbo "reaver".  Este, sem dúvida, é um dos verbos mais fáceis de ser classificado como defectivo.

Mas, se mesmo depois de tudo isso você ainda nutre o desejo de que alguém ou algo “se exploda”, use sua criatividade – com educação – e tente com um verbo equivalente, como “estourar”, “arrebentar”, etc.

Desejar que alguém ou algo exploda?

Sem crises...

Por Mônica Lima Falsarella - Imagens do site http://www.dicio.com.br

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Equilíbrio: Princípio fundamental da DIDÁTICA.

Gostaria de agradecer aos leitores e seguidores do blog pelos acessos e por fazerem esse projeto ter sentido. Embora as palavras-chave utilizadas pelos leitores denunciem que, em maior parte, as buscas são feitas por adolescentes, a grande maioria dos 105 seguidores do Crase é de adultos, profissionais de diferentes áreas mas principalmente da área da educação. Pensando nisso, essa matéria foi criada para que todos nós, estudantes ou veteranos dessa área reflitamos sobre nossas atitudes e práticas docentes, mas que também será útil para profissionais de todos os setores. Então vamos lá!
                                               
Equilíbrio: Princípio fundamental da DIDÁTICA.

                Para praticarmos a moral tanto em aspectos profissionais quanto em qualquer outro, é necessário primeiramente ter e exercer ética. As nossas atitudes são um reflexo da nossa vontade ou motivação, mas o objetivo inicial é exercê-las visando o bem a si mesmo e à sociedade.
Devemos ter em mente que existem extremos em todos os setores da vida, possibilitando a nós livre escolha. É importante então, encontrar o ponto de equilíbrio entre esses extremos. Daremos o exemplo do uso do dinheiro, já que é um assunto que interessa a todos nós.
Nesse critério, vamos falar sobre o primeiro extremo: a prodigalidade. Este diz respeito ao pródigo, ou “rebelde”, que costuma ter gastos maiores do que o que sua renda lhe oferece. Este indivíduo compromete tanto a si mesmo quanto a economia, sem falar daqueles que comprometem até mesmo bens alheios.
O segundo diz respeito ao avarento ou mesquinho, que guarda seus bens ou valores não se sabe para quem, pois não investe e não compensa nem a si próprio pelo seu trabalho, que dirá em benefícios de terceiros.
                Existe um “ponto de equilíbrio” entre e prodigalidade e a avareza? Sim, é a chamada liberalidade.  Esse equilíbrio faz com que o indivíduo controle a sua renda, beneficiando a si mesmo e a outros, pois mantém a economia estável (consumindo) e ao mesmo tempo não se prejudica com dívidas que lhe tiram o sono.
                Mas o que esse exemplo tem a ver com a prática docente?
                Esse paralelo pode ser feito embasado no mesmo critério de ética. A liberalidade ou o equilíbrio na docência significa compartilhar conhecimentos adquiridos em benefícios de um todo. É ir além de aprender. É ensinar. Desta forma, a prodigalidade na docência se dá quando o indivíduo não soube utilizar o que aprendeu e, aos poucos, torna-se alienado dos sistemas educacionais, sociais e políticos que regem a nossa sociedade. Este foi tolo, pois além de não ajudar outros, uma vez que omitiu sua carga de conhecimento, também gastou tempo e recursos em vão.  Por sua vez, a avareza na docência se dá quando o indivíduo acumula para si todo o conhecimento, que não tem efeito e nem causa. Conhecimento este que não é engajado em proporcionar a outros a aprendizagem e a cidadania e, pela falta de uso, esquece o que aprendeu.
                Outro exemplo de ponto de equilíbrio que pode ser considerado é a sinceridade, que está entre a cólera (raiva) e a amabilidade. Inevitavelmente, em alguma situação ocorrerá a cólera, mas esta deve ser justa e controlada, e é neste momento que se deve praticar a sinceridade, isto é, o saber lidar de forma realista com o problema, sem perder o equilíbrio da justiça.
                O bom-humor e a ética docente podem e, a meu ver, DEVEM andar juntos na prática docente. A pessoa espirituosa sabe lidar com o bom-humor, utilizando-o sem perder a ética. Isto pode, muitas vezes, ser uma estratégia do educador para alcançar seu objetivo, que no caso é ganhar a atenção do educando para o conteúdo pedagógico. Atrevo-me, por conhecimento de causa, a afirmar que o bom-humor é até mesmo um importante diferencial que pode ser atribuído ao educador.
                Dentre todos os exemplos citados, um ponto de equilíbrio que deve predominar na prática docente é o de dois extremos comportamentais: a falsa modéstia e a jactância.
               O falso modesto minimiza suas qualidades, subestima-se, embora esteja ciente de sua capacidade. Por sua vez, o jactancioso é o extremo mais preocupante. Este exagera as verdades sobre si mesmo quanto ao seu grau de conhecimento pedagógico e intelectual, o que não contribui nem para a sociedade nem para o próprio indivíduo.
               Concluo que podemos e devemos primeiramente conhecer a nós mesmos enquanto exercemos nossos papéis na sociedade como pais, educadores, formadores de opinião, etc. Dentro de todo e qualquer extremo, existe a riqueza do meio-termo, que podemos aplicá-lo na nossa vida pessoal, profissional e espiritual. 

Manter o equilíbrio é fácil? A imagem responde a essa pergunta, por isso TREINE.

Equilíbrio na prática docente?

Sem crises...

Por Mônica Lima Falsarella, a partir do livro "Os Dez Mandamentos da Ética" do escritor Gabriel Chalita.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Haver e Fazer: Quando são invariáveis?



             O emprego incorreto dos verbos haver e fazer são muito comuns em nosso idioma. Lembre-se de que, em algumas construções, eles não seguem regras, são do contra, rebeldes e sempre vai ser assim - a não ser que apareçam outras reformas na Língua, pra mudar tudo!

 Vamos direto às regras:

O verbo haver, no sentido de existir apresenta a mesma forma no singular e no plural. Nesse caso, é um verbo impessoal, pois não possui sujeito, por isso não varia. Ex:

Certo:

Havia (existiam) muitos alunos na escola.

Errado:

Haviam muitos alunos na escola.

Certo:

Houve (existiram) muitos acidentes durante o carnaval.

Errado:

Houveram muitos acidentes durante o carnaval.

Mas e numa locução com um verbo auxiliar?

Nesse caso, ambos ficam invariáveis:

Certo:

Deve haver muitos desabrigados ali

Errado:

Devem haver muitos desabrigados ali.

Porém, lembre-se:

Quando o haver significar ter, e não existir, ele admite singular e plural. Ex

Ainda não haviam (tinham) sido feitos todos os trabalhos.

Se houvessem (tivessem) comprado a casa, teriam se arrependido.


Mas o que o fazer tem a ver com isso?

Quando designa tempo ou fenômenos da natureza, o verbo fazer também é invariável. Não tem sujeito, e é igual no singular e no plural.

Certo:

Faz cinco dias que voltamos de viagem.

Faz dias muito bonitos na primavera.

Errado:

Fazem cinco dias que voltamos de viagem.

Fazem dias muito bonitos na primavera.


Nas locuções com verbo auxiliar, a regra é a mesma do haver: ambos não mudam.

Certo:

Deve fazer muitas semanas de frio neste ano.

Errado:

Devem fazer muitas semanas de frio neste ano.

Caso ainda haja dúvidas no ar, é só perguntar!

Sem crises...

domingo, 10 de abril de 2011

TORNE SUAS AULAS DE PORTUGUÊS UM MOMENTO AGRADÁVEL - Lançamento do livro de Sérgio Simka

Oi, pessoal!

É com grande prazer que apresento mais um lançamento do meu amigo escritor Sérgio Simka!


O livro TORNE SUAS AULAS DE PORTUGUÊS  UM MOMENTO AGRADÁVEL apresenta, em cinco partes que podem ser lidas de forma independente, 17 sugestões e reflexões com o intuito de tornar a aula de Português um momento mais agradável, a começar por uma relação mais humana entre professor e aluno.



Título: TORNE SUAS AULAS DE PORTUGUÊS UM MOMENTO AGRADÁVEL
             
AUTOR: SÉRGIO SIMKA
                                                          
Formato: 14x21cm   -  140 páginas    

ISBN/COD. BARRAS:  978-85-7854-136-1
Preço: R$ 26,00



           Há uma ideia generalizada de que a aula de Português costuma arrancar suspiros de tédio de alunos supostamente desinteressados. Tal fato pode ser constatado perguntando a qualquer um sobre o grau de satisfação que uma aula de Português pode atingir. Esta, que deveria abrir mentes e formar cidadãos capazes de ler e produzir um texto, tem levado uma multidão a detestar por tabela o próprio idioma, afastando-a criminosamente do acesso a “universos culturais” que o domínio da linguagem implica.

            Este livro traz, para tentar minimizar essa situação, sugestões e reflexões que tornarão as aulas de Português um momento mais agradável porque, além de abordar assuntos importantes, como metodologia, criatividade, autoestima textual e estratégias de produção textual ancoradas na Pedagogia do Encantamento, se destina ao professor que considera o aluno, não como um mero registro escolar falante, mas como um ser humano que merece, antes de quaisquer teorias de cunho pedagógico, linguístico, psicológico, sociológico etc., o nosso respeito e admiração.  
(21) 3208-6113