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domingo, 14 de março de 2010

Por que Mônica tem acento? -ACENTUAÇÃO GRÁFICA







Oi, pessoal!!

Diariamente acompanho o número de acessos ao blog utilizando o Google Analytics para ter um parâmetro de onde vêm esses acessos, através de quais sites - de buscas ou não - ele foi encontrado, e, principalmentes verificar as palavras-chave que foram utilizadas em sites como o Google para assim traçar o perfil dos leitores, e é notável a quantidade de pesquisas relacionadas à gramática e suas regras como flexibilixade dos verbos, pontuação e acentuação.

Esta, portanto, será uma matéria muito específica ao uso da acentuação gráfica, que embora seja muito conhecida por muitos, às vezes gera dúvidas, já que é repleta de regras e nomenclaturas que passam a impressão de serem mas complicadas do que realmente são.

Antes de começarmos, gostaria de agradecer aos participantes da brincadeira no Twitter, na qual prometi que, ganharia um crédito no blog quem respodesse mais rapidamente à questão sugerida na busca do Google: "Por que Mônica tem acento?"

A ganhadora foi @Vandelrio!! Para saber a resposta da Van, vamos às regras!



ACENTUAM-SE :

1. Os MONOSSÍLABOS tônicos terminados em A, E, O (seguidos ou não de S):

A (AS)

E (ES)

O (OS)

pá, pás, gás, já, má, más

mês, fé, rês, vê, vês, pé

nó, pó, prós, pôs, só, dó, pôs,

2. As OXÍTONAS terminadas em A, E, O ( seguidas ou não de S ), EM e ENS:

A (AS)

E (ES)

O (OS)

EM

ENS

marajá, cajá

sapé, japonês

avô, avós, retrós

também, além

reféns, parabéns

3. As PAROXÍTONAS terminadas em Ã(ÃS), ÃO (ÃOS), I (IS), U (US), L, N, R, X, OS, ONS, UM , UNS

à (ÃS)

ímã, ímãs, órfãs, órfã

ÃO (ÃOS)

órgão, órfãos, acórdão, sótãos, órfão

DITONGO ORAL ÁTONO CRESCENTE ou DECRESCENTE

área, cárie, gênio, vácuo, errôneo, ânsia, vício, mágoa, estátua,imundície,ignorância,

tênue, ambíguo, fósseis, jóquei, pônei, régua, espontâneo, lírio, ágeis, devêreis.

I (IS)

dândi, íris, grátis, lápis, júri, táxi, cáqui, beribéri, tênis

ON, ONS

OM

elétrons, nêutrons, rádon, íons,

( nomes técnicos terminados em –om) rádom (variante de rádon), iândom ( espécie de avestruz)

UM (UNS)

álbuns, médium, quórum, fórum

U,US

ônus, bônus, Vênus, (há poucos paroxítonos terminados em U )

L

nível, estável, cível, fusível, míssil, amável, têxtil

N

elétron, pólen, hífen, náilon, abdômen, albúmen

R

açúcar, néctar, pôquer, repórter, revólver, âmbar, hambúrguer

X

ônix, tórax, látex, clímax, córtex, fênix

PS

fórceps, bíceps,

4. Todas as PROPAROXÍTONAS

lâmpada

histórico

satírico

médico

quilômetro

oxítonas

quilômetro

ética

triângulo

sílaba

amássemos

acréscimo

xícara

hidroelétrica

oxítonas

ávido

soubéssemos

faríamos

iríamos

itálico

estômago

simétrico

médico

cátedra

ângulo

catálogo

eletrônico

pública

científica

período

trêmulo

cômodo

CASOS ESPECIAIS

ACENTUAM-SE:

5. As formas verbais OXÍTONAS terminadas em A, E, O, (seguidos de lo, la, los, las):

A

E

O

aproximá-la, ensiná-la,

descrevê-lo, entendê-lo, fê-los,

sabê-lo-emos, movê-las-ia

repô-las, compô-la, pô-los,

OBS: Se o verbo estiver no futuro poderá haver dois acentos.

Ex.: fá-lo-á, trá-lo-ás , pô-lo-ás ,

6. A vogal tônica -i das formas verbais OXÍTONAS terminadas em air e uir , quando seguidas de –lo(s), -la(s)

-AIR

- UIR

atraí-los, contraí-las, atraí-los-ia,

possuí-las, possuí-las-ia

7. As OXÍTONAS terminadas em ditongos abertos ÉI, ÉU e ÓI (seguidos ou não de -s):

ÉI (ÉIS)

papéis, coronéis, aluguéis, anéis, carrosséis, fiéis, batéis,

ÉU (ÉUS)

chapéu(s), mausoléu(s), fogaréu, escarcéu, léu, povaréu, troféu(s), céu (s),

ÓI (ÒIS)

constrói, heróis, anzóis, destróis, caracóis, sói(s) [verbo soer], sóis (plural d sol), corrói(s)

[ v. corroer], remói(s) [v. remoer]

8. As OXÍTONAS terminadas em I (S) e U (S) , quando o I e o U, mesmo precedidos de ditongo decrescente estão em posição final, sozinhos na sílaba ou seguidos de -s ;

I (IS)

Jundiaí, Tamanduateí, saí, daí, país, caí,

U (US)

Itaú, Piauí, Jaú, Anhangabaú, baú, teiú, teiús, tuiuiú, tuiuiús.

OBS: Se, neste caso a consoante final for diferente de –s, tais vogais não serão acentuadas.

Ex.: cauim, cauins

9. O I e o U tônicos das OXÍTONAS e das PAROXÍTONAS, seguidos ou não de S, que constituem o 2º elemento de um hiato e não formam sílaba com l, m, n, r ,z e não são seguidos de n.

I

juízo, saída, aí, egoísmo, atribuído, cafeína, cuíca, juízes, uísque, país, raízes, caído,

U

miúdo, ataúde, reúne, saúde, graúdo, tuiuiús, baú

Porém:

a) nas palavras: raiz, juiz, contribuir, ruim ainda, Raul , o I ou o U não estão sozinhos nem acompanhados de S na sílaba, logo não são acentuados,

b) nas palavras: bainha, campainha, moinho, rainha, tainha, o I está seguido de NH, por isso não é acentuado.

10. Verbos TER e VIR

Coloca-se acento circunflexo sobre as terceiras pessoas do plural do presente do indicativo dos verbos ter e vir e seus derivados a fim de diferenciá-las das formas das terceiras pessoas do singular dos mesmos tempos.

TER ( e derivados)

ele tem

eles têm, eles contêm, eles abstêm, eles detêm, eles obtêm

VIR ( e derivados)

ele vem

eles vêm, eles advêm, eles provêm

Porém acentuam-se: advém, contém, mantém, retém, detém, entretém, obtém, advém, convém, provém, por serem oxítonas terminadas em EM. Quando recebem o acento circunflexo ( ^ ) trata-se de um acento diferencial que indica não só a sílaba tônica como também a forma do plural.

- Outros acentos diferencias:

pôde ( 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo)

pode (3ª pessoa do singular do presente do indicativo)

porquê (substantivo)

porque ( conjunção)

quê ( substantivo, interjeição, pronome em final de frase)

que ( pronome, advérbio, conjunção ou partícula expletiva)

pôr ( verbo, faz parte do composto pôr-do-sol, seus derivados não são acentuados no infinitivo: repor, supor, dispor, decompor etc.

por ( preposição)

- Pode ser ou não acentuada a palavra fôrma (substantivo), distinta de forma ( substantivo; 3ª pess. do sing. do pres. do ind. ou 2ª pess. do sing. do imper. do verbo formar.

A grafia fôrma (com acento gráfico) deve ser usada apenas quando houver ambigüidade, como nos versos do poema “Os sapos”, de Manuel Bandeira:

“ Reduzi sem danos / A fôrmas a forma.”

11. Não é acentuada e nem recebe apóstrofo a forma monossilábica pra, redução de para. São incorretas as grafias prá e p’ra.

NÃO SE ACENTUAM:

11. NÃO se usa acento gráfico para distinguir as palavras OXÍTONAS homógrafas (que possuem a mesma grafia) mas heterofônicas (pronunciadas de formas diferentes):

cor (ô) [substantivo]

cor (ó) [elemento da locução “de cor”]

colher (ê) [verbo]

colher (é) [substantivo]

OBS: A forma verbal pôr continuará a ser acentuada (^) para distinguir da preposição átona por.

12. NÃO são acentuadas as PAROXÍTONAS com ditongo aberto –éi e –oi :

-ÉI

-ÓI

assembleia, boleia, ideia, colmeia, Coreia, epopeia,

boia, joia, paranoia, jiboia, tramoia, heroico, androide

OBS: Será acentuada a palavra Méier porque é uma paroxítona terminada em R.

13. NÃO se acentuam os encontros vocálicos fechados;

Pessoa, patroa, coroa, voo, enjoo, perdoo, coroo, doo ( verbo doar) magoo ( verbo magoar), povoo (verbo povoar)

OBS: Serão acentuadas palavras que, mesmo incluídas neste caso, estiverem enquadradas em regra geral de acentuação. Ex.: herôon ( porque é paroxítona terminada em N).

14. NÃO levam acento as PAROXÍTONAS que, tendo respectivamente vogal tônica aberta ou fechada, são homógrafas de artigos, contrações, preposições e conjunções átonas .

NÃO se distinguem pelo acento gráfico:

para (á) [flexão de parar] e para ( preposição)

pela(s) (é) [substantivo e flexão de pelar] e pela(s) [ combinação de per e la(s)]

pelo (é) [flexão de pelar] e pelo(s) (ê) [ substantivo e combinação de per e lo(s)]

pera (ê) [substantivo] e pera (é) [preposição antiga]

polo(s) (ó) [substantivo] e polo(s) [combinação antiga de por e lo(s)]

OBS: Não é acentuada também a forma para (do verbo parar) quando entra num composto separado por hífen:

Ex.: para-balas, para-brisa(s), para-choque(s), para-lama(s).

15. NÃO leva acento a vogal tônica dos ditongos –iu e –ui:

Ex.: caiu, retribuiu, tafuis, pauis.

16. NÃO são acentuadas as vogais tônicas –i e –u das PAROXÍTONAS quando estas vogais estiverem precedidas de ditongo decrescente:

baiuca, bocaiuva, boiuno, cauiba ( var. de cauira) , cheiinho ( de cheio), feiinho ( de feio) , maoismo, maoista ; saiinha ( de saia), taoismo, tauismo.

OBS: na palabra eoípo (denominação dos primeiros ancestrais dos cavalos) a pronúncia normal assinala hiato

(e- o), razão por que tem acento gráfico.

17. NÃO são mais acentuadas as 3as. pessoas do plual dos verbos (crer, dar, ler, ver) e dos seus derivados

3ª pes. sing do presente do indicativo

ele crê

3ª pes. plural do presente do indicativo

eles creem

3ª pes. sing do presente do subjentivo

que ele dê

3ª pes. plural do presente do sujuntivo

que eles deem

3ª pes. sing do presente do indicativo

ele lê

3ª pes. plural do presente do indicativo

eles lreem

3ª pes. sing do presente do indicativo

ele vê

3ª pes. plural do presente do indicativo

eles veem

18. NÃO levam acento os prefixos PAROXÍTONOS terminados em - r e - i :

inter-helênico, super-homem, semi-histórico, super-romântico, super- resistente, inter-racial, semi-internato

19. NÃO levam o trema o –u dos grupos - gue, - gui, -que, -qui, mesno quando for pronunciado e átono:

aguentar, arguição, eloquência, frequência, tranquilo,

OBS:

1 – os verbos ARGUIR e REARGUIR não levam acento agudo na vogal tônica –u nas forma rizotônicas (aquelas cuja sílba tõnica está no radical) : arguo, arguis, argui, arguem, agua , arguas .

2 – os verbos do tipo AGUAR, APANIGUAR, APAZIGUAR, APROPINQUAR, AVERIGUAR, DESAGUAR, ENXAGUAR, OBLIQUAR, DELINQUIR e afins podem ser conjugados de duas formas:

- ou têm as formas rizotônicas (cuja sílaba tônica recai no radical) com o - u do radical tônico, mas sem acento agudo;

- ou têm formas rizotônicas com - a ou - i do radical tônico, sem acento agudo:

averiguo (ou averíguo) , averiguas (ou averíguas), averigua (ou averígua), averigue (ou averígue), averigues (ou averígue), delinquo ( ou delínquo), delinques ( ou delínques), delinqua ( ou delínqua), delinquas (ou delínquas).

20. O verbo DELINQUIR , tradicionalmente é dado com defectivo ( verbo que não é conjugado em todas as pessoas) e no Acordo Ortográficoé tratado como verbo que tem todos as suas formas.

21. Em conexão com os casos citados acim, os verbos em - ingir ( atingie, cingir, constringir, infringir, tingir etc) e os verbos em – inguir, sem a pronúncia do –u ( distinguir, extinguir) têm grafias regulares - atinjo. Atinja, atinge,atingimos etc distingo, distinga, distingue, distinguimos.



Antes de finalizar a matéria, gostaria de esclarecer que @Vandelrio acertou quando disse que Mônica tem acento porque é uma proparoxítona, porém, por se tratar de nome próprio, não se faz necessária alguma correção, caso seja escrito Monica. Outro exemplo de nome próprio que comumente não leva acento mesmo sendo proparoxítono é "Anderson" .

É isso aí, pessoal, nossa língua portuguesa é mesmo cheia de regras, e nossa próxima matéria não será diferente, pois, atendendo à sugestão do amigo e leitor do blog André Moraes - @aafmoraes - falaremos sobre Próclise, Ênclise e Mesóclise.


Sugira também o seu tema!! =)



Sem crises com a acentuação!!



Bibliografia:

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37.ed. rev. ampl. e atual. conforme o novo Acordo Ortográfico.

Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

domingo, 7 de março de 2010

"Água mole em pedra dura, tanto bate até que desiste" - Figura de Linguagem: PARÓDIA

Oi pessoal!!

Atendendo a um pedido de Cristian Korny cujo "username" no twitter é @qryz, que sugeriu uma matéria sobre figuras de linguagem, hoje falaremos sobre uma delas: a Paródia. Prometo criar mais matérias relacionadas ao tema pois a variedade de figuras de linguagem e estilo é grande, sendo umas muito usadas, outras nem tanto, mas que para estudos, sempre vale a pena relembrar.


Quando falamos de paródia, precisamos entender que ela está dentro do estudo da INTERTEXTUALIDADE.


Definição:

Paródia é um tipo de relação interextual em que um dos textos cita o outro com o objetivo de fazer-lhe uma crítica, inverter ou distorcer suas ideias.


Embora em sua definição seja citada a relação entre textos, a intertextualidade com paródia pode ocorrer entre "textos expressos por diferentes linguagens" (Silva, 2002). Pode, portanto, ocorrer em diversas áreas como a pintura, a literatura, a propaganda, etc.

Precisamos lembrar aqui que, nem toda intertextualidade é uma paródia, mas toda paródia é uma intertextualidade. No final da matéria teremos um exemplo de uma intertextualidade na qual não há paródia, mas inicialmente daremos alguns exemplos de paródias, primeiramente na pintura:

O quadro "La Gioconda" em português "Mona Lisa", de Leonardo da Vinci e ao lado uma ideia distorcida a obra, por sua vez assinada por Marcel Duchamp.

Estas imagens falam mais que mil palavras, e deixam claro o objetivo de Duchamp, que é fazer uma sátira, colocando em dúvida a sexualidade de Mona Lisa.

Na literatura temos um vasto repertório de paródias, porém, a mais satirizada por críticos literários e escritores é a Canção do Exílio, de Gonçalves Dias. Abaixo, a canção original, e um dos muitos exemplos de sátiras baseadas nessa obra e seus autores:


por Gonçalves Dias

CANÇÃO DO EXÍLIO


Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.


Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.


Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem que ainda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.






por Jô Soares

CANÇÃO DO EXÍLIO ÀS AVESSAS


Minha Dinda tem cascatas
Onde canta o curió
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.
Minha Dinda tem coqueiros
Da ilha de Marajó
As aves, aqui, gorjeiam
não fazem cocoricó.


O meu céu tem mais estrelas
Minha várzea tem mais cores.
Este bosque reduzido
Deve ter custado horrores.
E depois de tanta planta,
Orquídea, fruta e cipó
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.


Minha Dinda tem piscina,
Heliporto e tem jardim
Feito pelas Brasil’s Garden
Não foram pagos por mim.
Em cismar sozinho à noite
Sem gravata e paletó
Olho aquelas cachoeiras
Onde canta o curió.


No meio daquelas plantas
Eu jamais me sinto só.
Não permita Deus que eu tenha
de voltar pra Maceió.
Pois no meu jardim tem lago
Onde canta o curió
E as aves que lá gorjeiam
São tão pobres que dão dó.


Minha Dinda tem primores
de floresta tropical
Tudo ali foi transplantado
Nem parece natural
Olho a jabuticabeira
Dos tempos da minha avó.
não permita Deus que eu tenha
de voltar pra Maceió.


Até os lagos das carpas
São de água mineral.
Da janela do meu quarto
Redescubro o Pantanal
Também adoro as palmeiras
Onde canta o curió
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.


Finalmente, aqui na Dinda,
Sou tratado a pão-de-ló
Só faltava envolver tudo
Numa nuvem de ouro em pó.
E depois de ser cuidado
Pelo PC com xodó,
não permita Deus que eu tenha
de voltar pra Maceió.


Percebemos aqui a relação entre os textos, porém, dentro dessa intertextualidade há o positividade inicial na obra de Gonçalves Dias e, por outro lado, o negativismo na de Jô Soares. Outras versões de Canção do Exílio assinadas por outros autores poderão ser encontradas clicando aqui.

Outro exemplo de paródia na literatura que não resiti em colocar nessa matéria foi a relação entre O 'Adeus' de Tereza de Castro Alves satirizado por Manuel Bandeira em "Tereza". Achei engraçado o humor ácido, porém inteligente:


O 'Adeus' de Tereza

A primeira vez que eu fitei Tereza,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala...


(Castro Alves)




Tereza


A primeira vez que vi Tereza
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna.


(Manuel Bandeira)

Precisamos comentar? Eu, pelo menos gostaria de ser a Tereza na visão de Castro Alves...


Agora vamos recordar as paródias na propaganda.

Bem conhecidas por nós, as propagandas da Bom Brill são campeãs no que se refere a intertextualidade e paródia.






Dessa vez, deixo a critério dos leitores a interpretação dessa propaganda, mas, se abríssemos uma discussão sobre paródias em propaganda utilizam um tom sarcástico podemos considerar esta com Ronaldo Fenômeno, no mínimo providencial.



Finalmente, como explicado no início, a paródia tem esse objetivo dentro da intertextualidade: distorcer ideias. Porém, como prometi, abaixo há um exemplo de intertextualidade, no qual, dessa vez não há paródia:


Trata-se, agora, de uma homenagem da Bom Brill aos 100 anos da imigração japonesa no Brasil.

Uma intertextualidade inteligente, positiva, bonita, e nem por isso sarcástica.


É isso aí, pessoal, as figuras de linguagem abrem um grande leque para estudos e a paródia faz parte desse leque. Eu, particularmente, amo!


Sem crises...